Princesas feministas: Livros para desconstruir padrões estéticos e comportamentais na infância

hega de princesas que só existem para agradar príncipes salvadores! Acreditamos que devemos desconstruir algumas princesas tradicionais e dar um novo significado a elas. E nesse lindo livro temos as princesas corajosas, independentes, inteligentes e inspiradoras que tanto amamos.

Chega de princesas que só existem para agradar príncipes salvadores!

Na infância, muitas meninas são levadas a acreditar que devem buscar um padrão de beleza e de comportamento equivalentes aos de uma princesa. Isso acontece, pois as meninas são expostas a histórias de princesas desde muito cedo. Aqui no clube, acreditamos que devemos desconstruir algumas princesas tradicionais e dar um novo significado a elas. E, por isso, trouxemos algumas sugestões de livros com princesas feministas, que trazem protagonistas corajosas, independentes, inteligentes e inspiradoras que tanto amamos.

Todos os títulos foram enviados para assinantes aqui do clube Minha Pequena Feminista e as reflexões sobre cada um dos títulos foram feitas pela curadora do clube Lavínia Dorfman Palma, uma psicóloga feminista, especialista em psicologia clínica e mãe de Júlia. Você pode conhecer mais sobre o seu trabalho através de seu instagram @psicologalavinia.

Minha Pequena Feminista - Clube de Livro Infantil Feminista

O clube Minha Pequena Feminista é um clube de assinatura de livros infantis focado na escolha de livros com protagonistas meninas e mulheres! O objetivo da curadoria é trazer histórias que promovam a igualdade de gênero e o empoderamento feminino, demonstrando a importância de trazer referências de mulheres bem-sucedidas e independentes desde muito cedo.

Acesse aqui nossos planos e saiba como você pode fazer parte do clube!

 

1. Lute como uma princesa – Vita Murrow

Lute como uma princesa

O livro Lute como uma princesa: contos de fada para crianças feministas foi escrito por Vita Murrow e reconta 15 contos de fadas tradicionais em um mundo de princesas poderosas.

Esse livro tem uma proposta muito valiosa: recontar histórias tradicionais. Ele traz a possibilidade de ressignificar muitos pontos e valores trazidos em clássicos infantis. Fala da importância de criarmos novas narrativas, com outros elementos.

Imagine a Branca de Neve falando sobre padrões de beleza e ciência do sono. 😴

A Pequena Sereia casando-se com uma mulher e trabalhando para manter o oceano limpo. 🌊

Já a Bela é uma destemida detetive e se aventura sem medo pela Floresta Proibida.🌲

Rapunzel torna-se uma renomada arquiteta que usa suas habilidades para mudar a realidade de sua comunidade.🏰

Cinderela é uma líder trabalhista em busca de justiça para todos.💪

A partir de uma releitura, o livro traz a ideia de que existem dados na vida desses personagens tão familiares a nós, que não sabíamos. As novas versões dessas histórias possibilitam que as crianças se identifiquem com os personagens, pois são narrativas muito próximas a nossa realidade. 

A importância desse livro

É importante destacar alguns pontos sobre o livro: Primeiramente, meninas não devem ser elogiadas por suas características físicas e, sim, por sua beleza interior. Devemos enaltecer e valorizar os talentos de nossas meninas. Devemos estimulá-las a descobrir o que gostam e o que tem facilidade em realizar. Habilidades e capacidades podem levar a uma profissão.  Desta forma, mostrar a elas que também são capazes de realizar grandes feitos e ocupar lugares de destaque e importância.

Casamento: O casamento não deve ser a principal aspiração de uma menina. Contudo, se a menina um dia casar, deverá ser com alguém com a qual a menina tenha estabelecido um vínculo saudável e de amizade, com muitas afinidades.  Encontrar um amor deve ser algo que acontece de forma natural e espontânea. Além do que, um casamento não será uma salvação na vida de uma menina.  

Sororidade: Devemos ensinar as meninas o conceito de sororidade. Mostrar que, quando juntas, as meninas podem ter ainda mais força, cada uma contribuindo com a sua habilidade. Devemos, também, desconstruir fortemente a idéia de que as meninas são rivais. Aqui ainda podemos enfatizar que o amor entre amigas pode ser muito rico e valioso. Uma amizade verdadeira pode curar e acalentar nossas dores. Muito além do príncipe, amigas podem ser grandes companheiras na estrada da vida.  

Empatia: Devemos ter como principal valor a bondade e respeito às pessoas, à qualquer pessoa, independente de classe, raça ou sexo. Trabalhar também com a ideia da diversidade e inclusão, de que ser diferente é absolutamente normal. Ser uma pessoa do bem pode trazer grandes parcerias e resultados.  

 

2. Princesas em greve – Thais Linhares

Princesas em greve!

O livro Princesas em greve, escrito por Thais Linhares  é encantador! 

Ao ler, temos a sensação de que estamos participando de uma convenção de  meninas, uma reunião que traz questionamentos necessários e valiosos. Uma pequena amostra do que tem sido o movimento de muitas mulheres, um movimento de luta, resistência e amor. E é tão bom perceber que nossas meninas, desde muito pequenas,  podem ter essa consciência! A leitura deste livro reforça a ideia de que devemos sim plantar essa sementinha na vida de nossos filhos. E que, mesmo eles sendo imaturos para entender as dificuldades de vida, eles podem ter clareza a respeito de muitas coisas. Eles podem compreender seus direitos, podem falar, reivindicar e escolher. Eles podem ter um entendimento do mundo em que vivem e do lugar que ocupam nesse mundo.  

Reflexões importantes sobre a obra

Profissão não tem gênero: Princesa não é profissão, e toda menina deve ser incentivada a ter uma profissão. Ela deve sonhar e projetar seu futuro. Meninas devem ler e estudar. O conhecimento trará consciência e possibilidade de questionamento e crescimento.  

Herói ou príncipe salvador: Não existe um herói salvador e as meninas não serão obrigadas a casar. Qualquer relação de amor é válida, desde que seja saudável e respeitosa. O amor pelos amigos e pelos animais também é fundamental. Meninas não são frágeis, podem salvar a si mesmas são fortes e tem um coração valente. 

Padrões de beleza: Meninas não precisam se preocupar somente com aparência, devem priorizar seu conforto e bem estar para, assim, poderem brincar e descobrir o mundo. Além disso, devem ser ensinadas que todas as belezas são possíveis, cada uma é valiosa do seu jeito. 

Igualdade de gênero: Brincadeiras e cores não devem ter gênero. Meninas e meninos podem brincar do que quiserem. O que ensinamos a eles quando meninas brincam de boneca e meninos de super herói? E por fim e o mais importante: Meninas – assim como meninos – podem decidir o que desejam e o lugar em que querem estar! 

 

3. A princesa que escolhia – Ana Maria Machado

A princesa que escolhia

O livro A princesa que escolhia, de Ana Maria Machado traz a história de uma princesa diferente e inovadora.

De forma leve e divertida, a escritora nos mostra o caminho de descobertas de uma jovem menina que deseja escolher seu destino.

É um livro de uma princesa que ousa dizer ‘não’ para seu pai, o rei, e sofre as consequências por conta de seu comportamento. O rei fica inconformado com a atitude da filha e resolve deixá-la de castigo na torre do palácio por discordar de sua opinião. Lá, ela descobre que o mundo é muito maior do que imaginava. Ela encontra a biblioteca de um antigo mago, aprende a navegar pela internet e faz amigos entre os empregados do castelo. Por causa de todo o conhecimento que passa a ter, a princesa ajuda a salvar o reino e enche de orgulho o rei, que a tira de seu castigo. Quando sai da torre, a menina, cheia de personalidade e inteligência, passa a surpreender todo o reino com suas decisões, mas sempre respeitando a opinião do próximo, tornando-se uma grande mulher.

 

Insights sobre a história

Esse livro fala sobre o poder de fazermos escolhas. Num primeiro momento, no início da leitura, percebemos que há um espanto quando a princesa se posiciona, o que nos faz pensar em como vemos e entendemos as meninas.  Em nossa cultura, ainda é esperado que meninas sejam amorosas e obedientes. Com isso, podemos pensar também em como reagimos diante de uma criança que se coloca,  que expõe suas ideias.

O caminho tradicional e que vem sendo utilizado há muitos anos é limitar ou até mesmo não considerar a opinião de uma criança. Muitos pais ainda utilizam punições e castigos. Afinal crianças não sabem o que é melhor para si, crianças devem obedecer. Que mensagem enviamos as crianças com isso? Estamos proporcionando que elas sejam seguras quanto aos seus gostos e escolhas? Que elas se conheçam, saibam seus sonhos e limites? 

Alguns insights que a história nos traz:

Autonomia e Solitude: A princesa aproveitou a oportunidade de estar sozinha para olhar para as coisas bonitas da vida. Expandiu sua visão, além daquilo que conhecia. Pôde perceber os animais e pessoas que viviam ao seu redor. Fez daquele momento triste uma oportunidade de reflexão e aprendizado. Momentos difíceis ocorrerão em nossa vida e isso não necessariamente é só ruim. Devemos mostrar as nossas crianças que podemos crescer e aprender com todas as experiências.  

Diversidade: Podemos ter amigos de todos os jeitos, cores e tamanhos. Enquanto seres humanos, temos as mesmas necessidades: de amor, carinho e respeito. A princesa sabia disso e olhava para todos como pessoas iguais a si. Ela não via diferença.  Aqui temos a importância da diversidade no mundo e nas relações. 

Padrões sociais impostos: Os pais querem trazer ela de volta, colocá-la novamente dentro dos padrões e dentro daquilo que eles esperavam dela, assim como a sociedade e família faz com as meninas. Mesmo que haja uma desconstrução, a cultura insiste nos padrões e reforça que meninas sigam eles.  

Importância do conhecimento: Com a chegada de uma doença ao reino, a princesa propõe uma solução,  porque tinha conhecimento, porque havia estudado. Aqui devemos salientar a importância do conhecimento e de um pensamento inovador. A princesa propunha que as pessoas pensassem de forma diferente.  A princesa mostra a importância do estudo, como a grande oportunidade de descobrir coisas, até a cura de uma doença! 

 

4. A princesa e o gigante – Caryl Hart

O livro A princesa e o gigante de Caryl Hart fala sobre a coragem de uma menina, que era também uma princesa. Uma princesa que conseguiu fazer o que ninguém fazia: domar e cativar um gigante temido. Seus pais e os soldados do reino queriam resolver o problema de uma forma violenta, e a princesa trouxe um novo caminho. 

Esse livro traz valores feministas, uma vez que fala do entendimento e respeito às diferenças, bem como a resolução de um problema pela via do afeto e empatia. Ele reforça a necessidade de uma convivência harmoniosa e respeitosa.  O livro aponta para a abertura de um novo possível, já que, na história, havia regras estabelecidas pelos adultos e uma criança propõe algo diferente. Esse novo funcionou e transformou as pessoas da trama. Entretanto, a mudança só foi possível, pois a criança foi escutada e validada. Os adultos confiaram na capacidade da menina. 

Outro ponto muito rico que o livro traz é a questão da importância do conhecimento. O instrumento utilizado pela menina para enfrentar a adversidade foi um livro.  A leitura gerou conexão e acolhimento entre ela e o gigante. Foi através do livro, que a menina expressou sua força e coragem. Esse fato também nos mostra que as meninas podem oferecer muito mais do que sua doçura e beleza, como é esperado de uma princesa. Meninas devem ser reconhecidas e valorizadas por sua inteligência, coragem, determinação, entre tantas outras qualidades humanas.  

O que fica dessa linda e divertida história é que devemos enaltecer sempre as habilidades e qualidades das nossas crianças para que, assim, possam confiar em si próprias. E que, acima de tudo, o conhecimento liberta e permite que elas percorram qualquer caminho que desejarem.”  

5. Princesinha, não! – Ana Dams e Fe Sponchi

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O livro Princesinha, não!, escrito por Ana Dams e ilustrado por Fe Sponchi traz um príncipe que é apresentado como um homem valente e forte, capaz de proteger a princesinha. Ela a salva de uma bruxa, e assim, ela se casa com ele. Há uma promessa de felicidade eterna por parte do príncipe.  Este é o enredo da maioria das histórias de princesas.  A mensagem que fica evidente é de que as meninas serão salvas por um homem forte e valente e que o casamento será a fonte de sua felicidade. É urgente desconstruirmos isso com nossas crianças, principalmente com as meninas.  Desde muito pequenas, elas já lidam com essa ideia de que um dia irão se casar com um príncipe, um homem especial. 

Ao longo desse casamento, a princesa começa a se sentir triste e sozinha. O livro retrata isso de forma bem interessante, contando que a princesa se percebe pequena diante do mundo. Ela se esvazia e diminui em função do casamento.  A princesa deixa de ser ela mesma e vira apenas uma princesa, que deve cumprir as expectativas do príncipe e viver para ele. 

Ela mesma não se reconhece mais e não se coloca como uma pessoa, e sim, como a esposa do príncipe. Ela percebe que não sabia mais nada de si, do que gostava, do que tinha medo, etc. Sua identidade e auto estima estavam completamente abaladas. 

Ao andar sozinha por diversos caminhos, ela vai encontrando animais e interagindo com eles.  Nessas interações, ela é Mariê, e não mais uma princesa. Ali ela consegue ser ela, se expressar espontaneamente e cativar os animais com suas habilidades e carisma. Então, de repente se percebe grande novamente.  Se sente forte e robusta, se percebe enorme. Ela lembra como é bom viver e o quanto ela é especial.  Ela se sente amada e útil. Aqui podemos lembrar o quanto todas as relações de nossa vida são importantes e não somente o amor romântico. Amigos, família, animais… Todas essas relações, enquanto saudáveis, podem nos ajudar a evitar ou até mesmo romper com um relacionamento abusivo. Além disso, não podemos esquecer do amor próprio, que é determinante em relação ao tipo de escolhas que iremos fazer.  

A moral da história

No momento em que o príncipe vê a princesa de longe, ele não a reconhece. Ele enxerga um ser gigante e se sente ameaçado por ela. Manda os guardas atirarem nela. Quando percebe que aquele ser enorme era a princesa, ele ainda age como sempre.  Como se fosse seu dono, ele a manda voltar ao normal.  Então ele percebe que ela está muito forte e ser autoritário de nada adiantará. Ele faz promessas caso ela volte ao tamanho normal e ser a princesa de antes. Mas a princesa havia encontrado sua força, ela não tinha como voltar a ser pequena. Ela não cabia mais naquele lugar. Ela havia entendido que aquele tipo de relacionamento custava sua felicidade e sua própria vida. 

Lembrem-se!

Meninas devem ser reconhecidas por suas habilidades e ideias, não pela sua aparência física. Meninas não são obrigadas a casar, mas caso queiram, devem escolher. E escolhas devem ser respeitadas. Meninas devem ser preparadas para identificar os perigos e relações que lhe fazem mal. Meninas devem buscar sempre relações saudáveis, independente quem seja sua escolha amorosa. Por fim, meninas podem escolher seus destinos, fazer o que desejam: viajar, estudar e viver muitas coisas. Podemos mostrar a elas que o final da história não é o mais importante; o mais importante é estar feliz durante a caminhada. Fundamental é serem livres para fazer escolhas, todos os dias. 

Boa Leitura!

Minha Pequena Feminista - Clube de Livro Infantil Feminista

O clube Minha Pequena Feminista é um clube de assinatura de livros infantis focado na escolha de livros com protagonistas meninas e mulheres! O objetivo da curadoria é trazer histórias que promovam a igualdade de gênero e o empoderamento feminino, demonstrando a importância de trazer referências de mulheres bem-sucedidas e independentes desde muito cedo.

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