Protagonismo negro: 8 livros para empoderar crianças negras

Protagonismo negro: 8 livros para empoderar crianças negras

No Brasil, infelizmente, sabemos que o racismo está tão profundamente em nossa cultura que pessoas brancas são muito privilegiadas em diversas áreas da sociedade simplesmente por serem brancas, em detrimento às pessoas de outras raças, como negros. Isso é o que chamamos de racismo estrutural. Vivemos em um momento de grande resistência negra, que traz cada vez mais consciência sobre esse contexto, mas o racismo estrutural ainda existe e, de maneira brutal, machuca pessoas negras – física e psicologicamente – todos os dias. 

A luta pelo protagonismo negro

Em um país com enorme diversidade racial como é o Brasil, precisamos ensinar a futura geração não só a respeitar a todos de maneira igualitária, como a  lutar ativamente para que todas as pessoas tenham condições de ocupar espaços econômicos, políticos e sociais que são, historicamente, ocupadas pelas pessoas brancas. Abolir o racismo estrutural ainda é bastante complexo, mas a realidade pode mudar se conscientizarmos, desde já, nossas crianças com relação ao tema.

Por isso, elencamos 8 livros espetaculares para mostrar a força e a potência de protagonistas negras para inspirar nossas crianças desde cedo, educando-as na luta antirracista!

 

1. Meu crespo é de rainha 

 

meu crespo é de rainha

O livro Meu crespo é de rainha, escrito pela inesquecível Bell Hooks é ideal para falar sobre o tema com as crianças mais novas, de 0 a 4 anos.

O livro traz, de um jeito divertido, a potência e a força do cabelo afro, com todas as suas possibilidades. Bell Hooks (Gloria Jean Watkins) foi autora, professora e ativista social e nos presenteia com uma linda obra que exalta a beleza do cabelo afro!

Sobre isso, Ellen Moraes Senra, psicóloga e curadora de nosso clube, escreveu, na carta de apoio à leitura referente ao livro: “crianças negras podem enfrentar quem pense que sua beleza e seu cabelo não são bonitos tal como são. Se não elas, um de vocês já pode ter passado por isso. Sem a representatividade que o livro nos traz, era mais difícil acreditar que cabelos crespos eram de rainhas. Ouso dizer-lhes que eu mesma cresci sem saber.

Ainda que o crespo, preso ou em adorno – como diz a autora – imite bem o formato de coroa, nos ensinaram que só um tipo de cabelo era correto, já que não existiam princesas de cabelos crespos ou trançados. Que bom que criaram materiais que nos possibilitam ressignificar a realeza e contribuir para que as pequeninas se formem conscientes de sua grandeza.”

“Que bom que criaram materiais que nos possibilitam ressignificar a realeza e contribuir para que as pequeninas se formem conscientes de sua grandeza.” (Psicóloga Ellen Senra)

 

 

2. O mundo no black power de Tayó  

o mundo no black power de tayo

O livro O mundo no black power de Tayó é uma obra-prima da autora Kiusam de Oliveira, indicado para crianças de 5 a 8 anos. Kiusam recebeu o prêmio ProAC Cultura Negra 2012 e o livro foi elencado no ranking dos dez livros mais importantes do mundo, em direitos humanos, pela ONU.

Tayó, protagonista desse livro, é a menina negra que queremos ver crescer pelo mundo. Tayó é doce, forte, confiante e empoderada e é assim que queremos ver nossas pequenas crianças negras. Dessa forma, esse livro desperta nas crianças a importância de valorizar a beleza da cor negra e entender que cabelos crespos carregam o valor de seus ancestrais. 

 

 

3. Amor de cabelo  

 

A obra Amor de Cabelo conta a história de Zuri e é um livro indicado para crianças a partir de 4 até 8 anos

Comovente e empoderador, o livro é baseado no curta-metragem de mesmo nome que ganhou o Oscar! A história exalta o carinho ao próprio cabelo, além de exemplificar com bastante cuidado o amor entre pais e filhas.

Zuri mostra às crianças todas as potencialidades de seu cabelo: ele pode ser trançado ou enrolado, com trança nagô ou trança twist, tornando-a de princesa a super-heroína.

O empoderamento da menina negra e o fortalecimento do conceito do amor preto – entre pai e filha, entre o casal e a família como um todo – nos faz enxergar que existem outras construções e vivências para além dos padrões estabelecidos e comercializados na mídia e sociedade em geral. É esse o conceito de representatividade de Amor de Cabelo nos apresenta!

 

 

4. Quinzinho  

 

A obra Quinzinho foi escrita por Luciano Ramos e é uma resposta urgente para a construção de uma sociedade antirracista.

Quinzinho, um menino alegre e descontraído, está agindo diferente e seu pai, atento, imediatamente nota. O pai, pergunta, então, o que está afligindo o menino.  Quando Quinzinho aborda sua insegurança em relação à sua cor de pele, vemos que o orgulho de seu pai – ao contar sobre os super-heróis, homens exemplos e ídolos pretos reais – é o que auxilia o menino a enfrentar esse momento de angústia e empoderar-se contra o racismo.

O amor entre pai e filho também mostra a importância de estarmos abertos às questões das crianças, atentos aos seus sentimentos e emoções e dispostos a desenvolver sua auto-estima, ajudando-as a aceitar suas raízes, aceitar quem são e a amar incondicionalmente a si mesmos e sua ancestralidade, além de trazer uma masculinidade alternativa e afetuosa.

Assim, Quinzinho e sua família trazem questões fundamentais para enfrentrarmos a sociedade racista: a importância do orgulho de ser preto e preta, de honrar a história e a ancestralidade do povo negro, o empoderamento das crianças para enfrentarem o racismo.

 

5. O pequeno príncipe preto  

 

O Pequeno Príncipe Preto vive em um remoto planeta com sua única companheira, uma árvore Baobá. Quando chegam as ventanias, o menino viaja por diferentes planetas, espalhando o amor e a empatia. Escrito por Rodrigo França, essa obra importante na luta antirracista incentiva nossas crianças a conhecer sua própria história e honrar sua ancestralidade. 

Afinal, “como pode existir o hoje e o agora se você não conhece seu passado?”, reflete o Pequeno Príncipe Preto. 

Esse é um livro que vale a pena ter em casa e revisitar, sempre que possível! 

 

6. O pequeno príncipe preto para pequenos  

 

E essa delicada história também alcança meninos e meninas em processo de alfabetização, por meio do título Pequeno príncipe preto para pequenos!

Rodrigo França, aqui, nos mostra que nunca é cedo demais para educarmos nossos bebês e crianças contra a segregação racial e que, desde cedo, podemos descobrir a importância de nossos laços de carinho e respeito à ancestralidade.

Afinal, como diz o Pequeno Príncipe Preto, junt@s somos mais fortes!

 

7. Sulwe  

 

Sulwe é uma obra para colecionar! Ele foi escrito por Lupita Nyong’o, uma das mulheres negras de maior destaque na mídia atual, ganhadora do Oscar e considerada um ícone da causa racial e do feminismo. Sem dúvidas uma inspiração para meninas e mulheres de todas as idades! O objetivo da autora é inspirar crianças a se sentirem confortáveis e se amarem em suas peles, passando a enxergar a sua verdadeira beleza.

A protagonista Sulwe conta a história relata sua infância no leste africano e suas angústias por ter a pele escura. 

“Sulwe é, com certeza, o livro com uma das histórias mais realistas sobre a infância de uma menina negra que eu já li. Acredito que você adulto irá se identificar assim como eu me vi lendo cada página. Quem nunca tentou “branquear” sua pele, quem nunca desejou ser mais clara ou até mesmo pediu a Deus que ao acordar fosse branca?

Em uma viagem mágica, a autora, com toda sua delicadeza, conta a história de duas irmãs e nos faz enxergar a nossa importância e de onde vem o nosso verdadeiro brilho.”  conta Rayssa de Oliveira, estudante de psicologia e curadora do Minha Pequena Feminista, em sua carta de apoio à família, escrita aqui no clube. 

 

8. As lendas de Dandara  

 

As lendas de Dandara narram a luta constante desta guerreira em fazer aquilo que desejava e sentia em seu íntimo ser seu destino. Ela possuía força, inteligência, audácia, sabia lidar desde os afazeres básicos de manutenção do Quilombo até às estratégias necessárias para lutar bravamente pela libertação do seu povo!

Mesmo com todas as provas que Dandara deu sobre sua capacidade de liderar e lutar, insistentemente, sua condição de guerreira era questionada pelo simples fato de ser mulher.

Por isso, esse livro é uma saudação à ancestralidade e memória do povo preto! Dividido em 10 contos, a narrativa construída por Jarid Arraes mistura história, ficção, religiosidade e diversidade cultural com o intuito de resgatar parte da memória africana apagada no processo de epistemicídio e etnocídio, a escravidão, o qual reflete mazelas sociais até os dias atuais.

 

 

Representatividade importa! Tragam referências de protagonistas negras e negros para todas as crianças e desenvolvam, em casa, uma educação antirracista!

Contem conosco nessa luta & Boa leitura!

Minha Pequena Feminista - Clube de Livro Infantil Feminista

Acesse aqui nossos planos e saiba como você pode fazer parte do clube!

O clube Minha Pequena Feminista é um clube de assinatura de livros infantis focado na escolha de livros com protagonistas meninas e mulheres! O objetivo da curadoria é trazer histórias que promovam a igualdade de gênero e o empoderamento feminino, demonstrando a importância de trazer referências de mulheres bem-sucedidas e independentes desde muito cedo. 

 

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